* Esta minha poesia * Simples como o meu valor * São os sopros da magia * Com que descrevo o amor *
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
* Blogue especialmente dedicado a minha filha
*Marta Castro *a razão da minha vida*
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Sonhador

- - -
Talvez por ter nascido sonhador
Ou por ser sonhador em opção
Alterei o trajeto da razão
E trilhei os caminhos do amor

Mudei o rumo certo da viagem
Que me levava ao porto mais seguro
E consegui saltar o velho muro
Para pisar a terra da coragem

Em cada passo dado, uma promessa
Em cada solidão, uma tristeza
Em cada sonho, um sopro d'incerteza
Marcando a minha vida controversa

Demasiado tarde p’ra mudar
E sem ter sequer vontade de o fazer
Continuo a viver e a sonhar
Se deixo de sonhar, não sei viver

Cidade em crescimento

- - -
Cidade que vais crescendo / Em perfeita liberdade
Em ti se vão escondendo / Traços da minha saudade;
Porque a minha mocidade / É feita da tua história
E eu trago na memória / Os vestígios dum passado;
Que revelam a glória
Dum povo amante de fado

Cidade cresce com calma / E aceita o tempo novo
Sem esqueceres que na alma // Existem vozes de povo;
Confesso que me comovo / Quando te vejo crescer
Porque não te quero ver / Colorida com vaidade;
Nem quero ver-te perder
O dom da simplicidade

Cidade da minha gente / Nobre e leal companheira
Não queiras ser diferente / Do que foste a vida inteira;
Tenta encontrar a maneira / De não perderes liberdade
Porque na tua verdade / Há um poema real;
Fazendo de ti, cidade
O orgulho nacional.

Viagem

- - - 
Quando viajo contigo / em sentimento   
Ao reino dos versos sábios / da manhã
Enfrento qualquer perigo / ou contratempo
Com um sorriso nos lábios / de romã

Da forma mais temerária / mais intensa
Que tenho a qualquer momento / do meu dia
Sorvo a poesia rara / tão imensa
Que te sai do pensamento / em fantasia

Qual gaivota entontecida / em céu aberto
Vou voando, vou voando / em liberdade
De
encontro à nuvem perdida / em céu mais perto
Que se vai aproximando / da saudade

E quando por fim me vejo / enternecido
Em frente à nuvem que veio / em suave calma
Sinto a doçura dum beijo / permitido  
Em cada verso que leio / com a alma

Mulher que é mulher

- - -
Mulher que é mulher
Remexe a carteira buscando o verniz
E sem ninguém ver, empina o nariz

Mulher que é mulher
Exibe o anel que o homem lhe deu  
Pra lhe prometer a terra e o céu

Mulher que é mulher
Confessa o ciume que a deixa vazia
E faz do queixume uma guerra fria

Mulher que é mulher
Nunca sai à noite sem ter companhia
Buscando um acoite para o outro dia

Mulher que é mulher
Rejeita parceiro que já tenha filhos
Porque quem tem filhos, também tem cadilhos

Mulher que é mulher                       
Se ouve um galanteio algo deprimente
Troca de passeio e lá segue em frente

Mulher
que é mulher
Não compra calçado na loja chinesa
Nem quer namorado que a mantenha presa
                                           
Mulher que é mulher
Se sabe o quer, controla o pecado
E busca prazer na alma do fado

Caravana do amor

- - - 
Caravana passageira
Que vais pela vida inteira / Sem destino anunciado

Tens o perfil sonhador
Da caravana do amor / Que passa pelo meu fado

Se não passas não te vejo
E sinto que o meu desejo / Fica maior do que eu
Sem nada p'ra me ocupar
Passo o meu tempo a contar / As nuvens que tem o céu

Porém, p'ra meu desagrado
O céu está sempre ensombrado / E as nuvens não acontecem
Só uma estrela cadente
Aparece, quando sente / Que meus sonhos esmorecem

A noite muda de cor
Mas seja lá porque for / A cor do céu não engana
Aperto a alma por dó
E do mundo onde estou só / Vejo a minha caravana

O jogo pelo jogo

- - -
Se vences um jogo, exaltas vitória
E abres os braços em sinal maior
Porém para lá da tua glória
Existem derrotas que provocam dor

Se sais derrotado no jogo da vida
Não tens uma rosa nem uma açucena
De lado p’ra lado, qual pena perdida
Pensas que jogar já não vale a pena

Arranjas desculpas para o teu fracasso
Inventas asneiras na tua revolta
Caminhas sózinho e trocas o passo
Chegando a parecer um cavalo à solta

Não queres perceber que um jogo banal
Pode ser perdido em nome da lei
Tens de compreender que é natural
Saír-se vencido, mesmo sendo rei

Não há imbatíveis, não há campeões
Nem há vencedores antes de jogar
A todos os níveis há mil soluções
E aqueles que lutam, merecem ganhar

No jogo constante, que podes vencer
É muito importante que saibas perder
A tua derrota saberás gerir
Assim que souberes perder... a sorrir                                                                    
                        
Junho 2001

Fora de tempo

- - -
Atrasei-me p’ra chegar / ao teu regaço
E cheguei fora do tempo / anunciado
Trazendo para te dar / no meu abraço
As linhas dum pensamento / renovado

Atrasei-me um tudo nada / em minha vida
E fiquei de olhar choroso / olhar tristonho
Porque vi na madrugada / entristecida
O sonho mais tenebroso / mais medonho

Atrasei-me p’ra te ver / nesta jornada
Porém não sou o culpado / podes crer
A vida fez-me perder / duma assentada
O tempo tão desejado / do prazer

Atrasei-me mas senti / dentro do peito
A emoção prometida / p’la paixão
E foi então que perdi / por meu defeito
A chance da minha vida / e a razão

Março 2001

Reencontro casual

- - -
Por feliz e mero acaso
Reencontrei o olhar // Que em tempos me fascinou
Embora fora de prazo
Pude ainda recordar // O que de ti me sobrou
- - -
Sobrou o teu brilho amigo
Dado ao romper do dia // E que a alma conservava
Brilho que andava comigo
Embalado na alegria // Da noite que eu ansiava
- - -
Sobrou também a saudade
Do beijo madrugador // Dado com paixão fremente
Sobrou a realidade
Do nosso falhado amor // Que em mim vive bem presente
- - -
Junho 2016

Rotina matinal

- - - 
O despertador tocou
Ele lá se levantou  // Tal como sempre fazia
Abriu um pouco a janela
Para ver através dela // Se estava bom ou mau dia

Constatou que o sol brilhava
E que até se preparava // Para se tornar mais quente
E lá se mentalizou
Que a vida com que sonhou // Era muito diferente

Solteiro por opção
Vivia na solidão // E dava-se bem assim
Tinha a família afastada
E a sua namorada // À paixão pusera fim

Afastou os pensamentos
Fez uns quantos movimentos // A que chamava ginástica
Tomou duche em água fria
Enquanto concluia // Que a vida é mesmo sarcástica

Uns vivem para comer
Outros comem p'ra viver // E outros não fazem nada
Enfim... o mundo é assim
E quando tudo tem fim // A saudade faz morada

Setembro 2015

Preciso

- - -
Preciso que me digas um poema maior
Preciso que me dês notícias da saudade
Preciso de cantigas apregoando amor
Num fado português cheirando a felicidade

Preciso dum sorriso aberto, meigo e forte
Que seja natural, sincero e desmedido
Também me é preciso um trevo e muita sorte
Para afastar o mal que já não faz sentido

Preciso duma voz amiga e conselheira
Que grite com firmeza as minhas ilusões
O mundo somos nós para lá da fronteira
Que divide a tristeza entre o sol das paixões

Preciso até que a noite adormeça comigo
P’ra poder despertar ao som duma esperança
Preciso dum acoite e do teu ombro amigo
Para te dedicar mil sonhos de criança

Realidade poética

- - -
Por estranho que possa parecer
A quem não crê no Deus da poesia
Há sempre mais calor e mais magia
Nos corações que sonham ao bater

E como tudo tem razão de ser
Porque nada acontece sem motivo
Os versos são a forma de saber
O tempo em que o sonho está mais vivo

Na força da verdade luminosa 
Sepultam-se projetos receosos
Na alma perfumada duma rosa
Sentem-se espinhos muito carinhosos

Os sonhos quando são ambiciosos
E simbolizam sentimentos nobres
Têm mistérios gentis e amorosos
Enriquecendo corações mais pobres

Maio 1998

A palavra mulher

- - -
A palavra mulher / Encerra quase tudo
Desde a maternidade // À dor mais sublime
Quem souber entender // O seu sorriso mudo
Saberá com verdade // O que seu nome exprime

Apenas na mulher // Existe o dom divino
Que dá jardins ao mundo // Ao germinar a flor
Apenas a mulher // Escreve o seu destino
Com um jeito profundo // Em sofrimento e dor

A mulher, tem consigo // O aconhego terno
Olhando embevecida // O fruto desejado
Muher é cais de abrigo // Outono feito inverno
Primavera florida // Verão do nosso fado 


Junho 2016

Fraquezas

- - -
A força que parece ser tão forte
Não passa de fraqueza disfarçada
A sorte que parece trazer sorte
Não passa dum azar em galopada
... sorte danada ...

A luz que tem o sol descolorido
Não passa dum inverno enganador
O sonho que parece mais florido
Não passa dum jardim desolador
... sem luz nem cor ...

Mistérios são os rumos que previ
Na hora de prever o meu futuro
Facassos são o fruto que colhi
Neste viver tristonho e inseguro
... e pouco puro ...

Promessas foram nuvens de fumaça
Perdidas no espaço do meu erro
E sendo assim, por muito mais que faça
Eu sou a luz do mais cruel desterro
... em que me encerro ...

Uma saudade não mata

- - -
Nem sempre a saudade mata
Nem sempre a dor é maior
Quando a paixão nos maltrata
Não há coração que bata
Sem os compassos do amor

Nem sempre os prantos da vida
Simbolizam sofrimento
A vida, quando ferida
Mantém a mesma batida
Dum amor fora de tempo

Nem sempre a maré vai cheia
Porque nem sempre há maré
A luz duma só candeia
Faz avivar a ideia
Dum sonho que ninguém vê

E nesta louca viagem
Sempre perto da partida
O sonho é a tal miragem
Feito de dor e coragem
Que pôe sorrisos na vida

Novembro 2001

Esconderijo

- - -
Escondi-me da vida p'ra que o tempo
Passasse devagar, mas mesmo assim
A vida descobriu-me em sentimento
E
manteve o amor perto de mim 

Escondi-me do sonho mais perfeito
P'ra não sentir o medo nem a dor
O sonho acomodou-se no meu peito
E dele fez o leito do amor

Escondi-me também do teu sorriso
P'ra não mais sucumbir ao teu encanto
Mais tarde descobri o paraíso
No sorriso que tens e que amo tanto

Agora nada escondo, tudo dou 
Dou alma em cada verso musicado
Agora, meu amor, sei o que sou

Agora, meu amor, sou o teu fado