Esta minha poesia // Simples, como o meu valor // São os sopros da magia // Com que descrevo o amor // JFC
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* Blogue especialmente dedicado à minha filha *Marta Castro *a razão da minha vida *
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Mestre Eugénio

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Eugénio de Andrade
Gastou as palavras
Quando disse *Adeus*
Ao amor passado;
Molhou a saudade
Num mar d’ondas bravas
E nos versos seus
Deixou-me um recado;
Recado singelo
Que guardo comigo
E apenas revelo
Quando estou contigo

Março 2016

Bom tremelique

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Chama-se “Bom Tremelique”
O restaurante mais chique... da  minha cidade amada
Neste solar português
Uma dose dá p’ra três... se dois não comerem nada

Há rissóis de camarão
Há croquetes de vitela... servidos com aparato
Mão de vaca sem ter mão
Há arroz de cabidela... feito com sangue de pato

Língua de boi sofredor
Coelhinho à sacador... e bife à moda da casa
Temos leitão da Bairrada
E temos uma pomada... que nos põe de grão na asa

Ovos moles ou mexidos
Pescadinha da graúda... com o rabo na boquinha
Temos carapaus cozidos
E  temos uma miúda... que faz coisas na cozinha 

Excelente linguado
Com molho de berbigão... tudo feito com ternura
E como prato afamado
Temos o tal salpicão... com o bom grelo à mistura

Sobremesas variadas
Bananas e marmeladas... sempre servido a preceito
É tudo à moda do Porto
E se a coisa der pró torto... há solha a torto e a direito

Doravante

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Deus quer que este meu fado seja teu  
O resto são  caprichos do amor
Roseira que por ti floresceu
Apenas pode dar rosas de cor      

Deus quer que nossas mãos fiquem unidas
Enquanto nossas bocas se procuram
Deus quer as nossas almas floridas
Enquanto as nossas vidas se misturam

Do sonho à realidade vai um salto
Do salto ao teu abraço, vai um beijo
O meu amor por ti voa mais alto 
Que gaivotas voando sobte o Tejo
 
Apenas, por querer dar-te o melhor
Deus quer que teu futuro seja eu
O nosso amor merece qualquer céu

E qualquer céu merece o nosso amor

Nem sempre é alma de fado

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Uma voz que nos encanta
No sopro que se levanta
Ao compasso anunciado
Nem sempre nos dá magia
Nem sempre nos arrepia
Nem sempre é alma de fado

Uma guitarra gemendo
Com a viola envolvendo
Acordes do nosso agrado
Nem sempre vibra a preceito
Nem sempre nos enche o peito
Nem sempre é alma de fado

Alma de fado só tem
Quem sente como ninguém
As mensagens da saudade
Alma de fado é a vida
Qual história acontecida

Em nome da felicidade

Paixão acomodada

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Como sempre, à mesma hora
A paixão veio em surdina
Aninhar-se no meu peito
Acomodou-se... e agora
Toda ela me domina
E me faz perder o jeito

Aquele jeito perfeito
Que eu tinha quando passavas
Na rua do meu pecado
E deixavas no meu peito
O aroma das palavras
Que perfumavam meu fado

Como sempre, de surpresa
A paixão partiu de vez
Sem um aceno de mão
Deixando a lembrança acesa
Na suave pacatez
Do meu corpo em solidão

06.Setembro.2016

Sonhador

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Talvez por ter nascido sonhador
Ou por ser sonhador em opção
Alterei o trajeto da razão
E trilhei os caminhos do amor

Mudei o rumo certo da viagem
Que me levava ao porto mais seguro
E consegui saltar o velho muro
Para pisar a terra da coragem

Em cada passo dado, uma promessa
Em cada solidão, uma tristeza
Em cada sonho, um sopro d'incerteza
Marcando a minha vida controversa

Demasiado tarde p’ra mudar
E sem ter sequer vontade de o fazer
Continuo a viver e a sonhar
Se deixo de sonhar, não sei viver

Cidade em crescimento

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Cidade que vais crescendo / Em perfeita liberdade
Em ti se vão escondendo / Traços da minha saudade;
Porque a minha mocidade / É feita da tua história
E eu trago na memória / Os vestígios dum passado;
Que revelam a glória
Dum povo amante de fado

Cidade cresce com calma / E aceita o tempo novo
Sem esqueceres que na alma // Existem vozes de povo;
Confesso que me comovo / Quando te vejo crescer
Porque não te quero ver / Colorida com vaidade;
Nem quero ver-te perder
O dom da simplicidade

Cidade da minha gente / Nobre e leal companheira
Não queiras ser diferente / Do que foste a vida inteira;
Tenta encontrar a maneira / De não perderes liberdade
Porque na tua verdade / Há um poema real;
Fazendo de ti, cidade
O orgulho nacional.

Viagem

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Quando viajo contigo / em sentimento   
Ao reino dos versos sábios / da manhã
Enfrento qualquer perigo / ou contratempo
Com um sorriso nos lábios / de romã

Da forma mais temerária / mais intensa
Que tenho a qualquer momento / do meu dia
Sorvo a poesia rara / tão imensa
Que te sai do pensamento / em fantasia

Qual gaivota entontecida / em céu aberto
Vou voando, vou voando / em liberdade
De
encontro à nuvem perdida / em céu mais perto
Que se vai aproximando / da saudade

E quando por fim me vejo / enternecido
Em frente à nuvem que veio / em suave calma
Sinto a doçura dum beijo / permitido  
Em cada verso que leio / com a alma

Mulher que é mulher

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Mulher que é mulher
Remexe a carteira buscando o verniz
E sem ninguém ver, empina o nariz

Mulher que é mulher
Exibe o anel que o homem lhe deu  
Pra lhe prometer a terra e o céu

Mulher que é mulher
Confessa o ciume que a deixa vazia
E faz do queixume uma guerra fria

Mulher que é mulher
Nunca sai à noite sem ter companhia
Buscando um acoite para o outro dia

Mulher que é mulher
Rejeita parceiro que já tenha filhos
Porque quem tem filhos, também tem cadilhos

Mulher que é mulher                       
Se ouve um galanteio algo deprimente
Troca de passeio e lá segue em frente

Mulher
que é mulher
Não compra calçado na loja chinesa
Nem quer namorado que a mantenha presa
                                           
Mulher que é mulher
Se sabe o quer, controla o pecado
E busca prazer na alma do fado

Caravana do amor

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Caravana passageira
Que vais pela vida inteira / Sem destino anunciado

Tens o perfil sonhador
Da caravana do amor / Que passa pelo meu fado

Se não passas não te vejo
E sinto que o meu desejo / Fica maior do que eu
Sem nada p'ra me ocupar
Passo o meu tempo a contar / As nuvens que tem o céu

Porém, p'ra meu desagrado
O céu está sempre ensombrado / E as nuvens não acontecem
Só uma estrela cadente
Aparece, quando sente / Que meus sonhos esmorecem

A noite muda de cor
Mas seja lá porque for / A cor do céu não engana
Aperto a alma por dó
E do mundo onde estou só / Vejo a minha caravana

O jogo pelo jogo

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Se vences um jogo, exaltas vitória
E abres os braços em sinal maior
Porém para lá da tua glória
Existem derrotas que provocam dor

Se sais derrotado no jogo da vida
Não tens uma rosa nem uma açucena
De lado p’ra lado, qual pena perdida
Pensas que jogar já não vale a pena

Arranjas desculpas para o teu fracasso
Inventas asneiras na tua revolta
Caminhas sózinho e trocas o passo
Chegando a parecer um cavalo à solta

Não queres perceber que um jogo banal
Pode ser perdido em nome da lei
Tens de compreender que é natural
Saír-se vencido, mesmo sendo rei

Não há imbatíveis, não há campeões
Nem há vencedores antes de jogar
A todos os níveis há mil soluções
E aqueles que lutam, merecem ganhar

No jogo constante, que podes vencer
É muito importante que saibas perder
A tua derrota saberás gerir
Assim que souberes perder... a sorrir                                                                    
                        
Junho 2001

Fora de tempo

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Atrasei-me p’ra chegar / ao teu regaço
E cheguei fora do tempo / anunciado
Trazendo para te dar / no meu abraço
As linhas dum pensamento / renovado

Atrasei-me um tudo nada / em minha vida
E fiquei de olhar choroso / olhar tristonho
Porque vi na madrugada / entristecida
O sonho mais tenebroso / mais medonho

Atrasei-me p’ra te ver / nesta jornada
Porém não sou o culpado / podes crer
A vida fez-me perder / duma assentada
O tempo tão desejado / do prazer

Atrasei-me mas senti / dentro do peito
A emoção prometida / p’la paixão
E foi então que perdi / por meu defeito
A chance da minha vida / e a razão

Março 2001

Reencontro casual

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Por feliz e mero acaso
Reencontrei o olhar // Que em tempos me fascinou
Embora fora de prazo
Pude ainda recordar // O que de ti me sobrou
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Sobrou o teu brilho amigo
Dado ao romper do dia // E que a alma conservava
Brilho que andava comigo
Embalado na alegria // Da noite que eu ansiava
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Sobrou também a saudade
Do beijo madrugador // Dado com paixão fremente
Sobrou a realidade
Do nosso falhado amor // Que em mim vive bem presente
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Junho 2016

Rotina matinal

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O despertador tocou
Ele lá se levantou  // Tal como sempre fazia
Abriu um pouco a janela
Para ver através dela // Se estava bom ou mau dia

Constatou que o sol brilhava
E que até se preparava // Para se tornar mais quente
E lá se mentalizou
Que a vida com que sonhou // Era muito diferente

Solteiro por opção
Vivia na solidão // E dava-se bem assim
Tinha a família afastada
E a sua namorada // À paixão pusera fim

Afastou os pensamentos
Fez uns quantos movimentos // A que chamava ginástica
Tomou duche em água fria
Enquanto concluia // Que a vida é mesmo sarcástica

Uns vivem para comer
Outros comem p'ra viver // E outros não fazem nada
Enfim... o mundo é assim
E quando tudo tem fim // A saudade faz morada

Setembro 2015

Preciso

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Preciso que me digas um poema maior
Preciso que me dês notícias da saudade
Preciso de cantigas apregoando amor
Num fado português cheirando a felicidade

Preciso dum sorriso aberto, meigo e forte
Que seja natural, sincero e desmedido
Também me é preciso um trevo e muita sorte
Para afastar o mal que já não faz sentido

Preciso duma voz amiga e conselheira
Que grite com firmeza as minhas ilusões
O mundo somos nós para lá da fronteira
Que divide a tristeza entre o sol das paixões

Preciso até que a noite adormeça comigo
P’ra poder despertar ao som duma esperança
Preciso dum acoite e do teu ombro amigo
Para te dedicar mil sonhos de criança